A pós graduação da Fiocruz contra os ataques aos direitos sociais

Link para versão em pdf: 22 de agosto – A pós graduação na Fiocruz

Estamos mobilizados como forma de resistência às políticas de austeridade que têm sido implementadas desde a consolidação do golpe de Estado ocorrido em 2016 e que agora vivemos de maneira dramática seus efeitos diretos no campo da ciência e tecnologia. Neste momento há ameaça de insuficiência de recursos imediata para o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – principal financiador das pesquisas brasileiras. Apesar da grande mídia ter sido inundada com notas de que o fluxo de recursos para este ano será normalizado, jamais teremos garantias efetivas de golpistas. Além disso, tais notas esbarram em um erro grave de interpretação da pauta dos pesquisadores, nossas pesquisas atendem a população brasileira,  tendo impacto nas políticas públicas, principalmente na área da saúde e educação. Somos parte de um todo, e se a previdência e os direitos trabalhistas são atacados, nós também somos afetados, principalmente enquanto pós-graduandos, por estarmos a margem desses sistemas que protegem e garantem a capacidade produtiva do país no caminho do desenvolvimento social.

Vale ressaltar que as bolsas de pesquisa, mesmo com seus valores extremamente baixos e defasados, garantem a sobrevivência da maior parte dos estudantes vinculados a pós-graduação. Sem as bolsas oferecidas pelas agências financiadoras, negros e pobres voltam a ver a pós-graduação como algo distante de sua realidade. Aquele que detém o conhecimento, detém o poder. Portanto, para nós, cabe defender a continuidade das bolsas, sua ampliação e reajustes correspondentes com o custo de vida e da pesquisa. Significa garantir que os estudantes possam viver em condições adequadas, desenvolver suas pesquisas, se qualificar e comunicar adequadamente seus resultados, dando sentido público e do comprometimento com a sociedade de nossas pesquisas.

Destacamos que a pesquisa brasileira tem se consolidado e fortalecido com a imensa contribuição e árduo trabalho de nós, pós graduandos. As publicações e patentes aumentaram nos últimos anos, a despeito de uma redução drástica no orçamento (Reportagem da Folha de São Paulo) para  a ciência e tecnologia, essa tem sido a nossa principal contribuição. Por outro lado, esta incompatibilidade entre baixo recurso e alta produtividade tem relação direta com a ausência de proteção social e assistência que vivenciamos. O resultado desta equação é a perspectiva de colapso na pós graduação, a fuga de pesquisadores de excelência, alto índice de depressão, suicídio e uma ciência que permanece elitizada.

Por fim, queremos deixar claro que tais políticas representam um projeto neoliberal de poder, que ataca as populações mais vulneráveis e mantém os privilégios dos mais ricos, com o qual não compactuamos e não nos furtaremos a lutar contra ele. Os contingenciamentos afetam, também, a saúde e educação, deixando pouca esperança de crescimento econômico e diminuição de desigualdades sociais. É de dentro da Fundação Oswaldo Cruz que nos fortalecemos para nos unirmos com todos os estudantes de pós graduação do país, pesquisadores, movimento estudantil e movimentos sociais e darmos a amplitude necessária às nossas pautas. Instituições públicas e comprometidas com a população brasileira devem ser protegidas por todos nós. Não aceitaremos qualquer forma de ataque aos direitos sociais. O único caminho possível é aprofundar a distribuição de renda e garantir o acesso à educação pública, a saúde pública e a terra.

No dia 22 de agosto de 2017, nós estudantes de pós graduação da Fundação Oswaldo Cruz paralisamos nossas atividades conforme deliberação de assembleia conjunta entre estudantes e pesquisadores realizada no dia 15 de agosto de 2017. Foram mais de 400 pessoas mobilizadas em torno da paralisação, que teve início às nove horas com panfletagem, confecção de cartazes, faixas e entrevistas para emissoras de televisão e rádio. A passeata, que percorreu cerca de três quilômetros dentro do campus Manguinhos, no Rio de Janeiro, em meio a apitos e palavras de ordem, chamava para compor o corpo aqueles que curiosos vinham observar. Ao chegar ao Castelo Mourisco, patrimônio histórico e local simbólico do campus, diretores de unidades técnico-científicas da instituição e a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, falaram aos presentes e demonstraram apoio ao ato. Durante a caminhada foram diversas as pessoas que, de dentro dos pavilhões, como são conhecidos os prédios do campus, manifestaram seu apoio, além de registrarem o ato.

Enquanto pós-graduandos, mobilizamos e contamos com o apoio de outras categorias. Estiveram presentes gestores institucionais, associação de servidores, pesquisadores, técnicos e representantes do movimento dos secundaristas. Nossas pautas convergem e acreditamos profundamente no caráter estrutural que elas possuem para sociedade brasileira, seja no contexto atual ou historicamente.

Permaneceremos mobilizadas e mobilizados! Nossos próximos passos serão manter os debates e avançar enquanto coletivo para além dos muros da nossa instituição. Com toda a Fiocruz mobilizada.
Principais notícias sobre a paralisação de estudantes da Fiocruz:

Jornal O Globo

Rádio Brasil Atual

Agência Fiocruz de Notícias

ASFOC-SN

Rio de Janeiro, agosto de 2017.

Associação de Pós Graduandos da Fiocruz

Fotos: ASFOC-SN e pós graduandos da Fiocruz.

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