Apresentação da chapa eleita para gestão da APG Fiocruz-RJ 2018-2019

Sejamos realistas, peçamos o impossível!

Em Assembleia realizada às 13:30h, do dia 16/04/2018, com participação de representantes discentes, foi homologado o resultado das eleições, indicando a chapa SEJAMOS REALISTAS, PEÇAMOS O IMPOSSÍVEL! para ocupar a gestão da APG Fiocruz/RJ no período de 2018 a 2019.

Apresentamos aqui às pós-graduandas e pós-graduandos da Fiocruz a chapa “Sejamos realistas, peçamos o impossível” recém eleita para a gestão 2018-2019 da Associação de Pós-Graduandos da Fiocruz-RJ. Seu nome faz alusão a um momento muito distinto na história do movimento estudantil: O maio de 68. Há exatos 50 anos, estudantes franceses foram o estopim de revoltas contra a reforma educacional, fechamento de universidades, desigualdades sociais, e a própria Guerra no Vietnã, levando consigo às ruas trabalhadores fabris, o que ocasionou um dos principais episódios de greve da história. Já no Brasil, os estudantes compunham resistência a um dos muitos períodos manchados da nossa história: a ditadura militar.

O Maio de 68 foi também, ainda que indiretamente, resultado da indignação popular contra o assassinato de uma das principais figuras do movimento negro: Martin Luther King. Para manter o status quo, governanças são capazes de aniquilar tudo o que atravessa seu caminho, da mesma forma que ocorreu este ano, com uma mulher negra conhecida como Marielle Franco, que vinha sistematicamente denunciando abusos cometidos pela PM do estado.

Hoje, no ano de 2018, ainda nos encontramos sob um regime de golpe. Sobre a cidade do Rio de Janeiro paira a nuvem da Intervenção Militar. A população periférica da cidade teve sua rotina cerceada, e seu direito de ir e vir roubado com a crescente onda de violência, protagonizada pelas facções de tráfico de drogas e ação coercitiva da polícia. Nesse contexto está incluída a população das comunidades vizinhas da Fiocruz. A excepcionalidade, portanto, é a tranquilidade. Fruto de escolhas políticas, intrinsecamente vinculadas a interesses econômicos, a criminalização das drogas, praticamente – pois, as incursões policiais são constantes, conjugadas ao controle territorial pelo comércio varejista de drogas ilícitas – quase impossibilita aos moradores ao acesso aos direitos humanos e à produção de cultura e ciência. Se não fosse por muita organização e resistência dos moradores, a situação seria ainda mais caótica. A pergunta que nos cabe, enquanto pós-graduandos (as) da Fiocruz, é a seguinte: qual o papel dessa instituição diante das violações de direitos e violência de Estado aos moradores das favelas? Pensa-se, como resposta, ao menos, três proposições: a ampliação da oferta de equipamentos e serviços assistenciais; a construção de uma campanha política pela legalização (ou descriminalização) das drogas e seu consequente trato como de saúde pública; e a formulação de “Fiocruz sem muros”, no sentido de socializar as pesquisas ali realizadas, sobretudo aquelas que envolvem a própria população do território. A Fiocruz não pode permanecer sendo uma ilha.

A Fiocruz vem tentando, de diversas formas, estabelecer um maior diálogo com a população vizinha, ressaltando aqui, principalmente ações promovidas pela Asfoc-SN. Mas será que estamos fazendo o suficiente? Ou estamos tapando o sol com a peneira? Como nós, pós-graduandos podemos atuar para modificar esse cenário? Pode ser através da produção de teses que falam sobre a violência do Estado? Pode. Sobre a desigualdade salarial entre homens e mulheres? Pode. Mas podemos garantir também que nossas teses não fiquem só no ARCA. Que através da divulgação científica, outras pessoas, mesmo as que não sabem ler, se apropriem do assunto. Seja sobre T. cruzy, seja sobre a demarcação indígena urbana do Rio de Janeiro. Podemos garantir que o morador da Maré tenha a oportunidade de ser nosso colega de turma. Podemos garantir que os negros, e que a população trans tenham seu lugar respeitado dentro da ciência nacional. Vamos olhar para os altos cargos e garantir que sejam representativos e que a ciência opere sempre em prol do desenvolvimento coletivo. Mudando os atores que fazem ciência, podemos trazer novos olhares e soluções para velhos problemas. Além disso, essas ações ajudam a garantir o reconhecimento da ciência pela população. Chega da visão de cientista maluco, super nerd – algo inalcançável! Queremos que a população se sinta próxima. Que ela também se veja dentro desse espaço. Talvez assim, em tempos de corte na ciência, nós bolsistas não fossemos vistos como “sanguessugas do governo”, mas sim como agentes de mudança e multiplicadores.

Ano passado, a verba destinada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC)  já havia sofrido drásticos cortes com o contingenciamento de 44% do seu orçamento, levando a manifestações em todo o país de uma parcela, ainda que pequena, da comunidade científica, principalmente composta por membros da Sociedade Brasileira de para o Progresso da Ciência, Academia Brasileira de Ciências e por pós-graduandos. Neste ano, já iniciamos com um corte de 19% menor do que o do ano passado. O investimento em ciência caiu o equivalente a cerca de 10 anos. E o mesmo é visto para o número de bolsas para pós-graduação. Todo o investimento feito durante os governos anteriores tem sido sistematicamente atacado. Embora não tão nítido, o ataque contra a ciência tem um enorme reflexo na manutenção das desigualdades sociais no país.

E não é só a ciência que tem sido atingida nos últimos tempos. Voltando um pouco mais, temos o ano de 2016, que foi marcado por uma das maiores provas de falta de clareza em diferenciar “gastos” de “investimentos” do atual governo. A aprovação da PEC do Teto de Gastos, congelando por 20 anos verbas para Saúde, Educação e Ciência foi um dos golpes mais fortes dado a população brasileira. Somada a isso a Federação Brasileira de Planos de Saúde (Febraplan) apresentou proposta de um “Novo Sistema Nacional de Saúde”, que canalizaria mais recursos públicos para a Saúde suplementar, colocando em xeque todo o modelo de saúde pública conhecido até então, contribuindo para o subfinanciamento do SUS. Aliado a esse desmantelamento da saúde brasileira, Crivella torna esse quadro ainda pior no Estado do Rio, fechando postos de saúde, atrasando o pagamento, diminuindo o efetivo de pessoas e demonstrando completo desconhecimento da atuação de agentes de saúde. Tal situação é agravada pela terceirização dos serviços de saúde, através da contratação das Organizações Sociais (OS), que têm se tornado corriqueira no SUS e fere o previsto no artigo 196 da Constituição, que trata da saúde como um direito à todo cidadão e dever do Estado. A participação da iniciativa privada passa então, de ação de caráter complementar à substitutiva, e burla a Lei Orgânica da Saúde nº 8080/1990. Isso é algo que não podemos aceitar. Dentro dessa instituição, existem alunos comprometidos com o SUS e completamente cientes da sua atuação e capacidade de mudar realidades através do atendimento gratuito, universal e de direito.

Nossas teses, sejam elas em Saúde Coletiva ou em Biologia Molecular, devem sempre buscar atender ao SUS e ao desenvolvimento coletivo da sociedade. Nós, pós-graduandos e pós-graduandas somos a principal força motriz da ciência, e para ter voz e ser capaz de mudar realidades, precisamos gritar em uníssono.

Por isso, nós da chapa “Sejamos realistas, peçamos o impossível!” recém eleita para a gestão 2018-2019 da Associação de Pós-graduandos da Fiocruz-RJ convidamos a tod@s @s alun@s para participar conosco, e nos guiar nessa luta!

Veja abaixo alguns dos eixos que norteiam nossas ações:

Eixo 1: O Papel do Pós-graduando

  • Promover debates entre os alunos de diferentes programas de modo a identificar e refletir sobre as diversas atuações do pós-graduando e as particularidades de cada programa;
  • Levantar debates sobre os reflexos do trabalho dos pós-graduandos no SUS;
  • Fazer refletir sobre o papel central do pós-graduando para o desenvolvimento e inovação em ciência, tecnologia e informação;
  • Debater o investimento, financiamento e desenvolvimento em ciência no Brasil;
  • Promover debates sobre a importância da realização de divulgação científica como meio de fortalecer a ciência em tempos de austeridade;

Eixo 2: Assistência Estudantil – Garantia de direitos.

  • Moradia: – Propor a formulação de edital público que garanta transparência e garantias para seleção de alunos ao alojamento;

                                 – Atualização das normas e regras que regem a estadia no alojamento;

                                 – Garantir infraestrutura adequada às atividades diárias dos discentes;

                                 – Garantir que o transporte de alunos do alojamento até suas unidades seja mantido;

  • Alimentação:- Avançar na ampliação do acesso a alimentação no campus a custos ainda menores e acessíveis, hoje em RS 11,50 (Onze reais e cinquenta centavos), diminuindo o valor cobrado aos alunos;
  • Transporte: – Garantir que todo aluno possa solicitar o uso do transporte oferecida pela Instituição através do Programa Fiocruz Saudável;

                               – Buscar, em ações coordenadas junto a outros coletivos, passe-livre para a pós-graduação;

Eixo 3: Internacionalização do Corpo Discente (Programa de Internacionalização da Educação da Fiocruz)

  • Garantir que, em parceria com o Instituto de Letras da UERJ, o Programa ofereça cursos de inglês Básico, Médio e Avançado aos discentes;
  • Garantir a manutenção do Curso de Inglês para redação de artigos acadêmicos e que este seja estendido aos alunos dos cursos Lato sensu;
  • Garantir a melhoria dos cursos de português para estrangeiros;
  • Fortalecer o Fiocruz Acolhe;
  • Articular parceria com o Centro de Relações Internacionais em Saúde (CRIS), com objetivo de ampliar o acesso a informação discente sobre as possibilidades de ações internacionais na Fiocruz.

Eixo 4: Representatividade Institucional – O aluno como parte da casa.

  • Garantir a representação de alunos de pós-graduação no Conselho Deliberativo da Fiocruz;
  • Garantir delegados com voz e voto para o próximo Congresso Interno (2021);
  • Garantir representatividade nas Câmaras Técnicas e Comitês relacionadas diretamente ao tema da formação de profissionais de pesquisa e saúde ou de caráter transversal;
  • Garantir votos dos pós-graduandos para a eleição da presidência da Instituição;
  • Apoiar a criação e garantir a manutenção de fóruns estudantis em todos os institutos da Fiocruz-RJ;
  • Apoiar e fomentar a criação de APGs em todas as unidades regionais, bem como a manutenção daquelas já existentes;
  • Assento estudantil no conselho editorial da Editora Fiocruz

Eixo 5: Ampliação da Perspectiva – Sistema de Cotas

  • Implementação de cotas para pessoas com deficiência e pessoas trans;
  • Garantir bolsa para todos os alunos cotistas
  • Garantir assistência estudantil e infraestrutura institucional para acolhimento e continuidade de alunos cotistas.

Eixo 6: Maternidade na pós-graduação

  • Divulgação das leis que protegem as pós-graduandas mães.
  • Construir alternativas para acolhimento de pós graduandas mães, com garantias efetivas de cuidado institucional para seus filhos.

Eixo 7: Assédio e Adoecimento na Pós-graduação

  • Garantir atendimento psicológico aos discentes através do Centro de Atendimento ao Discente;
  • Estar disponível para acompanhar casos de desligamento e/ou de “trancamento” de semestre.

 Eixo 8: Acesso a informação  

  • Ampliação da transparência dos processos relativos a pós-graduação (editais, concessão de bolsas, desligamento de estudantes)
  • Garantir que todos os alunos tenham e-mail institucional

Composição da gestão:

Coordenador Geral: Mayara de Mattos Lacerda de Carvalho (IOC)

Coordenador Geral: Júlio César Sanches Silva (EPSJV)

Vice-Coordenador Geral: Alexandre Oliveira Telles (ENSP)

Coordenador de Finanças: João Rafael da Conceição (ENSP)

Coordenador de Finanças: Thaynara Flor Marques Conceição (COC)

Coordenador de Articulação Política: João Victor da Silva e Silva (IOC)

Coordenador de Articulação Política: Ana Paula de Melo Dias (ENSP)

Coordenador de Ensino: Helena D’Anunciação de Oliveira (IOC)

Coordenador de Ensino: Richarlls Martins Silva (IFF)

Coordenador de Comunicação: Fabricio da Mota Ramalho Costa (IOC)

Coordenador de Comunicação: Melissa Heinrich (ENSP)

 

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