Censura nunca mais!

Rio de Janeiro, 27 de outubro de 2018

A Associação de Pós-graduandos da Fiocruz do Rio de Janeiro (APG-Fiocruz RJ), como entidade de representação estudantil, vem a público declarar seu voto na democracia.

Os estudantes têm papel histórico na luta pela democracia brasileira e assim como os estudantes de 68, nós não nos calaremos diante da censura quem vem sendo imposta a universidades, associações e sindicatos por todo o país!

Principalmente ao longo desta última semana, temos observado e sofrido ações inapropriadas e coercitivas de agentes do Estado, fazendo perceber que de fato, as ditaduras não tem estreia e que a nossa jovem democracia está há tempos em leito de UTI.

Não bastasse a crescente onda de declarações e até mesmo ações violentas por parte da população, atitudes que miram contra a liberdade e democracia têm sido respaldadas pelo Estado.  Exemplos sólidos são Universidades sendo invadidas por policiais militares (que nem mesmo o podem fazer) para retirada de faixas que não fazem menção a qualquer candidato e sim (e tão somente) contra o fascismo e pró-democracia. Professores interrompidos em meio a aula para dar explicações à PMs sobre sua aula embasada em “doutrinacões marxistas”, ao passo que este apenas lecionava sobre o tema Fake News a uma turma de ciências sociais. Assembleias estudantis sendo impedidas de discutir os projetos para ciência e Associações de Pós-graduandos, como a APG Fiocruz PE, impedidas de se expressar. É importante lembrarmos que organizações estudantis tem autonomia frente ao Estado e devem ter sua liberdade de representação respeitada. A APG Fiocruz RJ repudia qualquer forma de silenciamento e se solidariza com as Universidades que tiveram seus direitos violados (UFRRJ, UFPB, UERJ, UFU, UFAM, UCP, UniRio, UEPB, UFMG, UFG, UNEB, UCP, UFMS, UFRJ, UFERSA, Unilab, UFF, Unifei, UFBA, UFCG, UFMT, UENF, UEPA, UFGD, UNESP Bauru, UFSJ, UFRGS, UFFS, IFB) bem como com qualquer sindicado e associação.

Nunca houve e nem haverá dúvidas quanto ao voto neste segundo turno de eleições. É consenso da comunidade científica a escolha entre um candidato que defende a tortura, possuí atitudes racistas e homofóbicas, se pronuncia dizendo  que jamais aceitaria ser operado por um médico cotista, que defende o ensino fundamental à distância, que não sabe que a melhor ciência desse país é produzida na Universidade, e um candidato que é professor, que defende a revogação da EC 95 (que congelou investimentos em saúde, educação e ciência por 20 anos), um candidato que ao ser Ministro da Educação foi responsável pela implementação de diversos programas, universidades e institutos federais que possibilitaram a ampliação e democratização do acesso ao ensino superior por todo o país, um candidato que vai aos debates, entrevistas e se expõe ao crivo popular.

Não podemos abaixar nossas cabeças e aceitar a guilhotina. Somos resistência. Somos solidariedade. Somos muitos. O movimento estudantil sempre lutou e permanecerá nas trincheiras pela democracia! Quem defende a democracia não vota em nenhum projeto autoritário, fascista e violento. Como pesquisadoras e pesquisadores,  defendemos que a democracia apenas será possível com a ampla participação social, transparência e defesa dos direitos humanos. Por isso, nós pós-graduandos somos contra toda arbitrariedade a liberdade de expressão e censura a autonomia universitária .

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